Seu filho faz muitas perguntas? Veja o que fazer!

Seu filho faz muitas perguntas? Veja o que fazer!

Nós explicamos porque o hábito de perguntar é importante para o desenvolvimento das crianças.

As crianças têm o hábito de questionar tudo à sua volta. De onde os bebês vêm? O que é a sombra? Por que os pássaros voam? As perguntas são muitas, e por isso é natural que as famílias sintam dificuldade em respondê-las, principalmente quando envolvem assuntos complexos sobre a vida ou o comportamento humano. No entanto, para ajudar você a lidar com a curiosidade do seu filho, nós trouxemos as respostas para as suas dúvidas sobre o assunto. Acompanhe!

Por que as crianças perguntam?

As perguntas demonstram a curiosidade das crianças por compreender o mundo. Apesar de muitos adultos estarem sempre dispostos a ensiná-las, é natural que os pequenos procurem descobrir o mundo à sua maneira, o que resulta em uma investigação própria, sempre marcada pela grande quantidade de perguntas.

Esse hábito é natural e intrínseco ao desenvolvimento infantil. Da inquietação das crianças, podem nascer pontos interessantes, assim como é provável se deparar com perguntas constrangedoras, que, por um lado, deixam a família em uma saia justa, mas, por outro, também instigam reflexões nos adultos.

Qual a relação entre o desenvolvimento e o hábito de questionar?

Segundo Jean Piaget, psicólogo e pesquisador com extenso trabalho sobre a infância, o ser humano tem seu desenvolvimento centrado em quatro etapas principais.

Do nascimento até os dois anos de idade, os bebês vivem o período sensório-motor. Durante essa etapa, descobrem o mundo e certificam-se da existência dos objetos quando interagem com eles. Curiosamente, os questionamentos já são comuns nessa etapa do desenvolvimento infantil. Apesar de não serem verbalizados, as crianças tendem a balançar objetos e atentar aos seus sons ou reações, por exemplo.

A partir dos dois anos de idade, as crianças chegam ao período pré-operatório, quando começam a desenvolver a linguagem, que logo se transforma em uma ferramenta de comunicação e exploração do mundo. Com a fala desenvolvida, o pequeno encontra a oportunidade de perguntar e buscar por explicações sobre causas e consequências - e os “porquês” e os “comos” tornam-se comuns.

Entre os sete e os 11 anos de idade, a criança vivencia o período das operações concretas, momento em que desenvolve a sua percepção sobre os sentimentos das pessoas à sua volta e também o seu pensamento lógico e operacional. Por fim, o período de operações formais é vivenciado a partir dos 11 anos e é marcado pela capacidade da criança de solucionar problemas, planejar ações e discutir sobre o mundo ao seu redor.

De onde esses questionamentos vêm?

Durante a infância, as crianças buscam os porquês e os motivos por trás daquilo que faz parte do seu dia a dia, uma vez que já há um forte desejo de descobrir mais sobre as situações que estão vivendo. Nesse ponto, é importante perceber que há sempre um caráter egocêntrico envolvido em tais questionamentos: a criança usa a si mesmo como ponto de referência, portanto muitas perguntas são fruto das suas vivências pessoais com o mundo.

Quantas perguntas as crianças fazem todos os dias?

Em 2013, o site Littlewoods conduziu uma pesquisa intrigante sobre o hábito de perguntar, comum entre as crianças. Em um estudo realizado com mil mães do Reino Unido, cujos filhos tinham entre 2 e 10 anos, concluiu-se que os pequenos fazem cerca de 300 perguntas ao longo de um único dia. Surpreendente, não?

A pesquisa revelou também que as mães e os professores são os adultos mais questionados pelas crianças, e que muitas das perguntas são feitas durante as refeições. O site também afirma que as meninas de quatro anos de idade são as mais curiosas, e podem perguntar até 390 vezes em um mesmo dia.

Outro ponto interessante é que 9 em cada 10 mães admitiram que recorrem aos buscadores on-line em segredo para tentar solucionar as dúvidas dos seus filhos. Entre os questionamentos que as crianças fazem com maior frequência, estão o porquê de a água ser molhada, onde o céu acaba e de que são feitas as sombras.

Como lidar com as perguntas das crianças?

Ao invés de se deixar desanimar pelo excesso de perguntas todos os dias, embarque com o seu filho na brincadeira. Quando os pais demonstram interesse pelos questionamentos feitos pelas crianças, há uma contribuição expressiva para o interesse no aprendizado e o incentivo à curiosidade.

Dessa forma, é importante que os pais também se dediquem a ampliar o seu repertório e se comportem como “investigadores do mundo”. Quanto mais os adultos buscarem compreender as suas vivências individuais, maior será a sua facilidade para lidar com as perguntas e respondê-las com clareza.

É necessário ter cuidado para articular respostas concisas e adequadas a cada tema, sem complicar demais ou deixar de responder o que o seu filho perguntou. Ainda, adaptar as respostas à faixa etária é fundamental, uma vez que as crianças têm dificuldade com conceitos abstratos e distantes da sua realidade. Logo, vale sempre se ater a exemplos baseados no que ela conhece e consegue compreender.

É claro que existem temas complexos ou perguntas que envolvem questões filosóficas muito densas, mas não deixe de responder ao seu filho. O hábito de perguntar demonstra inteligência e interesse, e negar uma resposta ou ignorar um questionamento é a invalidação dessa busca por conhecimentos, o que pode trazer consequências negativas para a criança no futuro.

Caso você não saiba a resposta para uma pergunta, não tenha medo de admitir. Diga ao seu filho que você precisa pensar por um instante e vai respondê-lo mais tarde. Isso dará um tempinho para você pesquisar e pensar como transmitir a informação de maneira adequada.

Que tal fazer perguntas para o seu filho?

Cultivar o hábito de perguntar pode ser extremamente benéfico para o seu filho e também para toda a família. Além de conhecer um pouco das opiniões que ele está formando sobre o mundo, você poderá incentivá-lo a manter a mente aberta.

Para isso, pergunte sempre a ele sobre as suas vivências e sentimentos, como o que o faz feliz ou o deixa irritado, por exemplo. Também é interessante trazer perguntas mais imaginativas e instigantes, como quais lembranças o fazem feliz, que livro ele escreveria, qual é o seu personagem favorito ou como seria o seu dia ideal!

O hábito de perguntar é extremamente saudável para as crianças, e incentivá-las a ser curiosas e questionadoras é muito importante para o seu desenvolvimento e a construção de suas percepções sobre o mundo. Portanto, não deixe de contribuir para que seu filho explore os temas que o cercam!

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