INCLUSÃO ESCOLAR: O EXERCÍCIO DE ENSINAR DESCOBRE A MELHOR MANEIRA DE FAZER

INCLUSÃO ESCOLAR: O EXERCÍCIO DE ENSINAR DESCOBRE A MELHOR MANEIRA DE FAZER

Os colégios “Criançando” e “Mania de Aprender” contam como lidam com a inclusão escolar

“A alegria está no jardim que se planta, na criança que se ensina e no livrinho que se escreve!”. Este pequeno trecho da obra de Rubem Alves (A Alegria de Ensinar – Editora Ars Poética) resume bem o trabalho que deve ser realizado numa sala de aula, independentemente das diferenças entre os alunos que ali estão.

A inclusão escolar, tema tão importante e atual na educação brasileira, pode ser considerada como todos os procedimentos que enfatizam a necessidade de alcançar uma educação para todos, centrada no respeito e valorização das diferenças.

O Centro Educacional Criançando, colégio parceiro do Sistema de Ensino Dom Bosco em São Lourenço (MG), atende alunos com deficiência intelectual e múltipla desde 2005. Dos 152 alunos matriculados, 23 são diagnosticados com os seguintes tipos de deficiência: Síndrome de Down, Paralisia cerebral, baixa visão, Mielomeningoceli, Transtorno do déficit de atenção com e sem hiperatividade, Deficiência intelectual, Transtorno do espectro Autista e Dislexia.

Segundo a mantenedora Jaqueline Gonçalves Mangia, nos últimos anos as crianças com necessidades ganham um espaço cada vez maior dentro da sociedade e das escolas regulares. “O grande detalhe para o sucesso da inclusão é ver sem barreiras, não colocar limites, acreditar na capacidade de aprendizado da criança com deficiência, como qualquer outro aluno. Quando falo de capacidade de aprender não falo em alfabetização, me refiro a aprender aquilo o que realmente fará diferença na sua vida”, explicou Jaqueline.

Este conceito é compartilhado com a atuação do colégio Mania de Aprender, também parceiro do Sistema de Ensino Dom Bosco na capital paulista. A máxima nesta instituição de ensino, que possui 426 alunos e dentre eles 12 inclusões, é que o aluno é da escola, portanto todos os professores e funcionários conhecem os casos e devem ter um olhar acolhedor, de orientação constante, pois as regras são as mesmas para todos (incluir é tratar igual).


Ao lado do senhor José Bastos, está Luan Carlos Pinto que começou no Mania de Aprender quando ainda era pequeno. Hoje, ele é um dos colaboradores do colégio

Parceria com as famílias

A mantenedora do colégio Mania de Aprender, Letícia Garcia El Kadri, explica que desde o início a parceria com os pais é de fundamental importância para o sucesso do ambiente escolar. As orientações médicas devem fazer parte do dia a dia. “Já na matrícula os pais se comprometem em continuar o atendimento clínico e o tratamento com especialistas, informando a escola de tempos em tempos e trazendo orientações dos médicos para a adequação da rotina da criança.”

Preparar a equipe de colaboradores da escola é o segundo passo, lembrando que somente o conhecimento sobre a deficiência não garantirá o sucesso no desenvolvimento dessa criança, é preciso estar disponível e, acima de tudo, enxergar esse aluno sem limitações.

O colégio Mania de Aprender não tem especialização em todas as síndromes, mas seus profissionais são estudiosos e sempre buscam alternativas pedagógicas que contribuam para o desenvolvimento do processo de aprendizagem dos alunos.

No Centro Educacional Criançando, com a ajuda de uma equipe multidisciplinar, a diretoria efetua a matrícula na sala ideal para este aluno, levando em conta não somente sua idade, mas também seu grau de desenvolvimento. 

Atividades que contemplam a participação de todos

As mantenedoras do colégio Mania de Aprender e Criançando explicam que o maior desafio é proporcionar um ambiente de aprendizagem que favoreça a construção do aprendizado de todos.

“Temos que garantir que os outros alunos tenham preservados também um ambiente que promova aprendizagem em todos os aspectos. Quando conseguimos construir um grupo colaborativo e respeitoso, todos ficam livres para exercer seus direitos, apresentando avanços e dificuldades de aprendizagem normais a qualquer unidade escolar”, diz Letícia.

Durante o ano letivo, o Centro Educacional Criançando também desenvolve vários projetos, os quais as crianças com deficiência participam ativamente. Um exemplo é o evento “Expo Criançando”, em que o colégio recebe a visita de várias escolas do município de São Lourenço. Durante o bate papo qualquer assunto é abordado, sem problemas. Na ocasião, por exemplo, os alunos de uma das turmas – em que há uma aluna com deficiência múltipla -, falaram sobre o tema comunicação, considerando que essa aluna não fala e não anda.

Porém, os amigos sabem como se comunicar com ela, que expressa suas vontades e desejos com um sorriso, um olhar, virando a cabeça, sinalizando um não. Essa é a forma de comunicação dela. E seus colegas de sala, de apenas quatro anos de idade, souberam explicar cada detalhe dessa forma de comunicação.

E o futuro?

O resultado da Inclusão transcende os muros da escola. A mensagem que estas escolas parceiras passam à sociedade e a convivência com as crianças com deficiência farão que as demais pessoas saibam certamente conviver com as diferenças, respeitar o espaço do próximo e ser solidário.

E isso não é uma fórmula que se possa decorar, é somente por meio da experiência dessa convivência que todos poderão aprender a fazer a real inclusão. “É extremamente gratificante ver as crianças sem deficiência participando de forma tão natural, para eles a cadeira de rodas é um carrinho, a distrofia ocular é uma careta, uma forma de brincar”, diz Jaqueline Mangia.

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