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O Grupo / Faculdade / Colunistas

Projeto Rondon – Amor pelo Brasil

Desde os primeiros dias na escola, procura-se ensinar às crianças o sentimento de pertencimento à pátria. Inicialmente elas gostam de sua cidade, seus recantos e encantos, seus amigos, do microuniverso que abrange alguns vizinhos, o condomínio, a comunidade de sua igreja...
Conforme crescem, percebem que seu mundo é mais extenso e estendem o afeto por seu estado e suas tradições. O sentimento de pátria nasce antes, muito antes. Quando, por exemplo, assistiram à Copa do Mundo e viram todos pararem para cantar emocionados o Hino Nacional.
A ligação entre o futebol e o sentimento de pátria já foi profundamente estudado por Roberto DaMatta. Alguns conhecem os clubes de determinado estado, mas não sabem qual sua capital.
Dessa maneira amorfa, desenvolve-se o amor ao Brasil. O Projeto Rondon ajuda muito a dar forma a esse sentimento, como um artesão talhando um tronco para produzir bela escultura.
Sou formado por uma universidade pública. Durante minha graduação e mestrado, fui mantido pelos meus pais e por todos os contribuintes que pagam impostos. Esse longo período em escolas públicas, onde também estudei o fundamental e parte do médio, fez de mim um grande devedor. Criei uma dívida impagável com a nação. Uma das formas que encontrei para reduzi-la foi participar do Projeto Rondon, que, em primeira análise, é uma ação de integração nacional. Ao levar várias instituições de ensino superior para cidades de todos os estados da federação que necessitem de treinamento e capacitação, ele age como o artesão que molda o amor à pátria no coração de acadêmicos e professores.
Sair do Paraná e conhecer o interior de Tocantins ou o sertão nordestino (locais de operação da Faculdade Dom Bosco em 2010) significa imergir num  Brasil de muitos. Ter como pátria quase um continente dificulta conhecer culturas, hábitos e crenças dessa gente toda.
O sentimento de brasilidade se transforma quando a tradicional paisagem da mata de araucárias muda para o serrado verde e exuberante no intenso período de chuvas, mas formado de troncos retorcidos em seus longos intervalos de seca. A população local parece acompanhar o clima. O calor da recepção é mais intenso do que as ondas de calor do sol, apelidado carinhosamente de maçarico.
Outro grande objetivo do projeto é auxiliar no amadurecimento acadêmico, fato desencadeado pela percepção de que os universitários detêm conhecimento único e suficiente para contribuir com o desenvolvimento das regiões de baixos índices de desenvolvimento humano. Os rondonistas são conscientes de que o sucesso de suas atividades pode despertar o desejo de desenvolvimento e crescimento interiorano. Também de que, se a comunidade não aceitar sua presença e suas ideias, nada acontecerá de diferente. Nem por isso abandonam seus ideais.
O amadurecimento não ocorre apenas no âmbito profissional. O lado humano de cerca de 340 rondonistas de todo o país aflora nas mais diversas situações. Já no início da viagem, entram em contato com outros de diversas instituições estaduais. Chegando à cidade polo da operação, identificam o universo do exército e das diferenças regionais entre as IES. Acadêmicos de norte a sul do país se agrupam após o toque da alvorada, antes de o sol despontar, num grande refeitório para o café da manhã.
As equipes deslocam-se para as cidades, onde convivem com duas instituições durante duas semanas. Às vezes escuto comparação das nossas operações com o Big Brother, que me apresso a repudiar. Enquanto as pessoas do BBB se relacionam por um objetivo individual (o prêmio), os rondonistas se unem por uma causa coletiva. Isso faz do ambiente de convívio uma extensão da família de cada um. Ao final de duas semanas, todos compartilham a doce da sensação de que se doaram ao próximo.
Depois de uma atividade em que se aprendeu algo novo, o olhar de carinho das crianças, o riso dos jovens, o compromisso dos gestores, o desejo dos professores em oferecer um potencial de aprendizagem maior a seus alunos compensam toda a dedicação e chegam a mudar a cor da lente com a qual enxergamos o mundo.
Tentamos em sala de aula explicar o que é cidadania. Falamos em voto, participação política e controle social. No Rondon, a prática constante de cidadania envolve acadêmicos e professores que dão forma ao sentimento de amor à pátria, que fica tão grande quanto a distância percorrida por todos os rondonistas do país.
Resumir o Projeto Rondon é difícil, porque ele implica muito trabalho em prol da sociedade. Saber que diversos acadêmicos buscam essa oportunidade em todos os semestres só traz a certeza de que, sim, “o Brasil é o país do futuro”.

 

Luiz Fernando Bianchini .
Diretor Acadêmico da Faculdade Dom Bosco.