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O Grupo / Faculdade / Colunistas

Quero Paz...o caminho é a resolução pacífica de conflitos

Pode-se dizer que existe uma unanimidade em boa parte dos diversos autores que refletiram ou estudaram conflitos, a respeito de seu conceito: sinônimo de incompatibilidade entre pessoas ou grupos, ou entre valores inconciliáveis dessas pessoas ou grupos. O conflito tem como essência um fenômeno de incompatibilidade, de choque de interesse.

O conflito não é um acontecimento de um único momento, mas antes de tudo um fenômeno evolutivo que acontece socialmente com trajetória entre altos e baixos. É necessário, também, que se diferencie o conflito do falso conflito. O primeiro se dá de acordo com o conceito já proposto – incompatibilidade ou choque de interesses; o segundo se dá devido a um problema de percepção ou má comunicação. Nesse último caso, na grande maioria de vezes, o conflito deixa de existir com um simples esclarecimento a respeito da percepção de cada envolvido.

O contrário também pode acontecer, quando o falso conflito transforma-se em conflito real, pelo não esclarecimento de um ato falho na comunicação, principalmente no ambiente escolar.

Embora se faça referência que o aluno é o protagonista dos conflitos, entende-se que no meio escolar todos os membros da comunidade educativa podem entrar numa situação geradora de conflitos.

Durante o processo da evolução de um conflito, muitas variáveis podem surgir: valores das partes em conflito, aspirações e objetivos, a natureza do problema que originou o conflito, o ambiente (restrições ou encorajamento ao conflito), estratégias ou práticas empregadas (negativas ou positivas), e por fim, as conseqüências finais do conflito: as mudanças ocorridas no processo todo.

O conflito não pode ser negado, pois ele faz parte da estrutura humana e não há crescimento pessoal sem que se enfrente momentos de crise e de conflito. Todos os conflitos acontecem em um contexto sociocultural determinado. O simples conhecimento do contexto cultural, no qual o conflito se desenvolve, mostrará suas raízes, sua provável evolução e a forma de lidar com ele. A paz que se deseja construir não é a que nega o conflito, porém é a que acredita no diálogo, na negociação, enfim, pela resolução não-violenta de conflitos.

A UNESCO, em publicações, refere-se à solução de conflitos “como modelo didático ao estudo da violência, suas causas, tipos e formas de dominá-las”.

Numa visão alternativa, fundamentada em valores públicos e democráticos, o conflito é necessário para o desenvolvimento de todas as propostas cotidianas de uma organização, seja ela particular ou não, enquadrando-se aí as escolas.

Pode-se constatar que a causa de conflitos se dê pela impossibilidade de consenso e pela dificuldade de lidar com a diferença.

A mediação é uma metodologia de resolução de conflitos aplicável em diferentes campos de atuação; é uma técnica que supre o espaço antes ocupado pelas pessoas mais velhas da comunidade ou da família.

As estratégias objetivam, além da resolução de conflito, a prevenção e a aprendizagem de novas formas de resolução de conflito.

Dentro da Teoria Crítica da Educação, na Pesquisa para a Paz e no modelo de Educação para a Paz, o conflito assume o seu real papel como processo natural necessário e potencialmente positivo para as pessoas e os grupos sociais.

Pode-se dizer que independente do tipo de conflito, esse é um fenômeno necessário para o crescimento e desenvolvimento tanto de indivíduos quanto de sociedades. Serve como força motivadora em nossa existência, e conseqüentemente como causa de mudança.

Nesse aspecto, como objetivo pedagógico prioritário, o educador deve mostrar ao aluno que o conflito pode ser uma força positiva quando tratada de forma pacífica, e que impulsiona esse aluno a ser mais criativo nas mudanças da sociedade e nas suas relações cotidianas.

Na Cultura de Paz não existe a idéia de eliminarem-se os conflitos ou oposições, mas antes de tudo pressupõe-se a resolução pacífica dos mesmos.

Que isso seja uma prática em nosso meio.

 

Rosemari Fackin
Mestre em Educação, coordenadora do Instituto Superior de Educação da Faculdade Dom Bosco e professora do curso de Educação Física da Faculdade Dom Bosco.

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