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A crescente integração das economias em um mercado internacionalizado, produz efetivamente mais riquezas e maior volume de transações comerciais. Mas, paradoxalmente, gera também mais pobreza e exclusão, que aumentam em ritmo e intensidade mais do que a riqueza material. Afluência (para não dizer, desperdício) e desigualdade são cada vez mais polarizadas e concentradas em nossa sociedade, tornando-se os maiores obstáculos de um processo de desenvolvimento sustentável ou durável, como dizem os franceses.
Urbanização desenfreada e industrialização não planejada, consideradas manifestações do progresso civilizatório, não resolvem os problemas quando geradas nos padrões do paradigma capitalista. Ao contrário, levam a um desenvolvimento perverso que potencializa a polarização, a marginalização e agrava as contradições sociais, provocando tensões e conflitos políticos.
Sem mecanismos regulatórios e de controle, situação típica de países e regiões periféricos, a industrialização produz efeitos enormemente prejudiciais ao meio ambiente e, conseqüentemente, à saúde da população.
À insuficiência de serviços básicos de saneamento, de coleta e destinação do lixo e condições precárias de moradia – tradicionalmente relacionadas à pobreza e ao subdesenvolvimento – somam-se a poluição química e física do ar, da água e da terra, provocando uma vasta gama de doenças e deformações congênitas.
Mas é um tanto contraditório abordar os problemas de um ponto de vista fragmentado, reducionista e unidimensional. O enfoque alternativo de uma abordagem sistêmica multi e interdisciplinar abre novas perspectivas para a compreensão dos processos complexos e seus fatores determinantes, com profundas repercussões na teoria e na prática da ação social transformadora, levando à construção de um modelo de sociedades excludentes e democráticas, que respeitem a liberdade e a diversidade de seus membros.
A nova abordagem epistemológico-metodológica permitirá rever as relações entre sociedade e natureza sob o ângulo de diversidade, complexidade e sustentabilidade. Ademais, nos levará a questionar a concentração do poder (sob a aparência de democracia formal) que é responsável pela exclusão e a degradação social e ambiental. Finalmente, concorrerá para o aprofundamento e a incorporação de elementos teóricos, pedagógicos, políticos e sociais que superem a fragmentação do conhecimento, da ciência e da cultura promovida pelo pensamento único do neoliberalismo.
ReferênciasGuimarães, R.P. O desafio do Desenvolvimento Sustentado. IN: Revista Lua Nova, São Paulo, 1995.
Robbins, P.T. Greening The Corporation, Earthen Publications Ltd. UNEP, 2001.
See, M. Greenhouse Gas Emissions: Global business aspects. Springer Verlag, Heidelberg, Alemanha, 2001.
Aguinaldo Pires Cordeiro
Administrador, mestre em Engenharia de Produção, professor do curso de Administração da Faculdade Dom Bosco.