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O Grupo / Faculdade / Colunistas

Mulher e Cidadania

Atualmente, o dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, tornou-se uma data festiva, recheada de bombons, flores e mimos. Mas não podemos deixar de pensar nessa data como o símbolo da busca de igualdade social entre os gêneros, que foi marcada por fortes movimentos de reivindicação política e trabalhista que contribuíram para que a mulher alcançasse um lugar de destaque em nossa sociedade.

Popularmente, em países da América Latina, acredita-se que esta data é comemorada por todos para lembrar operárias mortas em um incêndio ocorrido em Nova Iorque no dia 25 de março de 1911. Alguns artigos científicos, como o escrito por BLAY (2001), realizaram o resgate histórico desse dia, objetivando informar a população sobre os reais acontecimentos e as distorções que têm sido feitas sobre ele e sobre a luta feminista. A autora revela que o processo de instituição do Dia Internacional da Mulher já vinha sendo elaborado por socialistas americanas e européias, desde o início do séc. XIX, e foi ratificado com a proposta de Clara Zetkin que era alemã e militava junto ao movimento operário e à conscientização feminista, em 1910, no II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas. Esse evento ocorreu um ano antes do incêndio em Nova Iorque, que data de 25 de março de 1911, e que aconteceu em um sábado por volta das 5 horas, onde morreram 125 mulheres e 21 homens, trabalhadores da Companhia de Blusas Triangle, que se localizava nos 3 últimos andares de um prédio de 10, o que contribuiu para uma terrível tragédia que comoveu cerca de 100 mil pessoas que participaram do funeral em 5 de abril.

Após esses acontecimentos históricos e diversos outros eventos que ocorreram para organização das mulheres na busca de seus direitos, a data de 8 de março de 1917 marca um momento da chamada “Revolução de Outubro”, que foi a greve espontânea, não organizada, realizada por tecelãs russas. Somente em 1975, que o 8 de março foi escolhido para ser consagrado às mulheres, mostrando que a tragédia ocorrida com as trabalhadoras da Triangle, somou-se a tantos outros momentos incorporados ao imaginário coletivo de luta das mulheres.

Tanto avançamos, que há mais de 20 anos foi criado O Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), fruto da capacidade de organização e pressão dos movimentos feministas e das mulheres brasileiras. Este conselho tem como um de seus eixos de atuação, proporcionar o “empoderamento” das mulheres, facilitando o acesso das mesmas a cargos mais altos nas hierarquias de poder (JUREMA, 2001).

Apesar de muitas conquistas, que poderiam ser aqui citadas, sabemos que ainda há discriminação entre os direitos das mulheres e dos homens. Após tantas lutas, parece inconcebível encontrar ainda hoje, em nosso país, mulheres sem acesso à saúde, à instrução, sem segurança jurídica ou econômica, e meninas vítimas da prostituição.

Diante disso, indago: afinal, o que nós, mulheres da sociedade e homens também, podemos fazer para resgatar a dignidade humana? Cada um pode encontrar uma solução diferente. O importante é não esperarmos tudo do governo ou imbuir a responsabilidade à sociedade. Lembre-se, a sociedade somos nós. Você faz parte dela.

Eu encontrei uma maneira. Como representante do meu Conselho de Classe, o CREFITO (Conselho Regional de Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais), participo das reuniões da Comissão Municipal de Saúde da Mulher, onde qualquer cidadão pode participar. Estas reuniões servem para discutir, avaliar e diagnosticar as situações as quais as mulheres estão submetidas cotidianamente e que podem prejudicar o processo saúde-doença. Tendo em vista que esse processo envolve condições sociais, econômicas, políticas, psicológicas, físicas, entre outras; o intuito da comissão é buscar soluções para os diversos problemas encontrados, como facilitar o acesso à saúde, à educação, ao lazer e reduzir a vulnerabilidade das mulheres à violência. A isso denominamos de Controle Social, que nada mais é do que a participação da sociedade na organização política do nosso município.

Portanto, a mensagem que me proponho a deixar é a mesma que encontrei no artigo de Brito (2001): integrar homens e mulheres, nas suas relações, para buscar o desenvolvimento da cidadania e dos processos sociais, pois os problemas, os quais citei, não afetam somente o gênero feminino. Afinal, o que seria de um homem sem uma grande mulher, ou de uma mulher sem um grande homem?

Raciele Ivandra Guarda Korelo
Fisioterapeuta, mestre em Tecnologia em Saúde, professora do curso de Fisioterapia da Faculdade Dom Bosco.

Referências Bibliográficas

BLAY, Eva Alterman. 8 de março: conquistas e controvérsias. Rev. Estud. Fem., v.9, n.2, Florianópolis, 2001.
BRITO, Maria Noemi Castilhos. Gênero e cidadania: referenciais analíticos. Rev. Estud. Fem., vol.9, n.1, Florianópolis, 2001.
JUREMA, Solange Bentes. Ações e estratégias do CNDM para o “empoderamento” das mulheres. Rev. Estud. Fem., vol.9, n.1, Florianópolis, 2001.