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Para os gregos antigos, o homem favorecido por Métis – a deusa da astúcia – apresentava duas qualidades: a primeira relacionava-se à percepção, agudeza, vivacidade e fineza de espírito. A segunda, em aliar essas aptidões numa mira exata e canalizar todos os recursos em direção do objetivo, com rapidez de ação. Pelé, nos seus bons tempos, representava esse homem, pensava e agia rápido focando a meta: o gol. O que fez Napoleão ser Napoleão e conquistar quase toda a Europa foi a incrível rapidez dos seus exércitos. Numa época em que as manobras militares eram vagarosas, ele introduziu novos modelos de armas e de locomoção de tropas. Enquanto o inimigo fazia conjecturas sobre como seriam as batalhas, elas já estavam ganhas pelos comandantes de Napoleão. Alguns séculos antes, César também espantava seus oponentes e o Senado Romano com deslocamentos rápidos e surpreendentes.
Algumas das suas tropas chegavam à incrível velocidade de 100 km por dia. Lembre-se que as viagens eram feitas a pé e a cavalo e os suprimentos em carroções. Napoleão e César acreditavam que “a prontidão é a mãe da sorte”, e por isso suas conquistas são lembradas até hoje.
Os exemplos anteriores, que ilustram a habilidade do pensar e agir rápido, podem ser observados também no universo empresarial. Por que algumas empresas são mais lentas nas estratégias e na implantação das ações do que outras? Por que alguns executivos ficam somente no falar, perdendo a oportunidade preciosa do momento certo?
Hoje, dispomos de centenas de ferramentas para a tomada de decisões: informações rápidas e precisas por computação, sofisticadas pesquisas de mercado, comunicação fácil, telefonia de alcance mundial em tempo real, e-mail, serviços de busca via internet, só para citar alguns. Então, por que as decisões demoram a ser implantadas?
São muitos os fatores que pesam nas decisões do agir: falta de capital, não ter equipes afinadas para o combate, esperar o carnaval passar ou as eleições terminarem, comodismo, acreditar que as mudanças podem se processar sozinhas, brigar com as situações em vez de aceitá-las, esperar que alguém resolva o problema em seu lugar, não saber pensar, despreparo, emaranhado de leis e, talvez o mais velado de todos – o medo de errar e de ser julgado.
O presidente da Seleção Portuguesa, quando contratou o Felipão, disse em uma entrevista: “Contratamos o sr. Scolari por sua capacidade de tomar decisões rápidas, sem medo”. Num tempo em que as empresas clamam para que seus gerentes exerçam atividades de liderança, é fundamental mudar nossas atitudes: perceber rápido, tomar ações imediatas e focadas nos resultados esperados. No mundo dos negócios, é melhor pecar por excesso do que por omissão.
Eloi Zanetti
Especialista em marketing e comunicação corporativa, escritor e palestrante