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Dia desses me veio à memória uma história que aconteceu comigo quando estava no último ano da Educação Infantil. Eu era uma aluna tímida, mas gostava de fazer bem feito. Não apenas escrevia, como gostava de desenhar as letras para que a professora elogiasse meus cadernos.
Naquele ano, a professora era uma pessoa normal – não consigo lembrar o nome dela, mas recordo com clareza que ela estava grávida…
Na nossa sala tinha um menino que aprontava sempre, respondia aos professores, muitas vezes ficava bravo com todos e batia em quem estivesse à sua frente. Foi num desses dias que ele foi para cima da professora e ameaçou com a mão fechada bater na barriga dela. Por sorte ela segurou a mão dele. Em seguida, muito nervosa, olhou para a turma toda e disse: “Escutem bem porque hoje vocês vão ver! O sinal irá tocar e ninguém vai sair da sala. Vocês ficarão aqui até a hora que eu quiser”.
Nossa, que sensação ruim! Comecei a ficar nervosa, imaginando meus pais chegando para me buscar e não me encontrando, indo embora! Comecei a suar frio, pensei em chorar, pensei em brigar com a professora… Por que todos tinham que ficar se só um menino tinha tentado bater na barriga dela? Por fim, não fiz nada, apenas guardei meu material e fiquei esperando. O sinal logo bateu e, como prometido, NINGUÉM pôde sair… Foram alguns minutos apenas, mas que pareciam eternos… desesperadores… Até que a professora disse “PODEM IR!!!”.
Baixei a cabeça e comecei a correr desesperada para encontrar meus pais. Quando os vi conversando, perto do portão, as lágrimas, gordas, começaram a cair, daí não consegui mais me conter. Como chorei! Minha mãe me abraçou, me segurou no colo e fomos andando para o carro. Ao entrar no carro chorei muito. Meus pais perguntavam o que tinha acontecido e eu só conseguia aumentar meu choro. Então eles voltaram a conversar me deixando acabar com aquilo. Quando finalmente parei de chorar, meu pai, com a voz mais calma do mundo, perguntou: “Pronto? Agora nos conte. O que aconteceu?” E eu então relatei o ocorrido, ainda emocionada com a injustiça de ter ficado na sala quando apenas um menino era o culpado. Ao terminar o relato, meu pai suspirou fundo e começou a falar: “Minha filha, hoje você aprendeu uma coisa muito importante que levará para a vida toda. Aprendeu que na vida nós não pagamos só pelos nossos erros, mas também pelo erro dos outros. Hoje o que você sentiu talvez nunca mais esqueça, mas lembre-se também que isso faz parte da vida e da convivência com as outras pessoas”. Entendi… Fez-se um silêncio, minha mãe me deu um beijo e o assunto estava encerrado.
Meu pai tinha razão! O que a gente aprende na infância, por mais doído que seja, não esquecemos mais. E essas aprendizagens são muito importantes para nosso desenvolvimento.
Hoje sou mãe e tento passar pelo menos um pouco do que aprendi com meus pais para meus filhos.
Confesso que não é fácil, pois muitas vezes a minha capa de super mãe quer entrar em ação. Mas aí eu respiro fundo e a devolvo ao armário!