Aviso!

Para acessar este site você precisa ter instalado
em seu computador o Adobe Flash Player 8.

Instalar Flash Player 8
Login: Senha:
 

Aviso!

Para acessar este site você precisa ter instalado
em seu computador o Adobe Flash Player 8.

Instalar Flash Player 8

O Grupo / Curso / Estudemais / Atualidades de Vestibular

ATUALIDADES DE VESTIBULAR

Células-tronco

A pesquisa com células-tronco envolve questões controversas, como a clonagem e a manipulação de embriões humanos. Mas promete revolucionar a medicina


De vez em quando, os jornais aparecem com notícias que soam como ficção científica: gente famosa estoca o sangue do cordão umbilical dos filhos recém-nascidos para utilizá-lo, se necessá­rio, no futuro. Jogadores de futebol ou de basquete, pilotos, nadadores e surfistas têm esperança de que esse material sirva de alternativa para tratamento de eventuais lesões. Isso tudo com base numa constatação da medi­cina: o sangue do cordão umbilical é uma fonte de células-tronco - células com capacidade de renovação ilimitada e, por isso, melhores do que as retiradas da medula espinhal para o tratamento de leucemia e de inúme­ras outras doenças hematológicas. A prática é uma aposta de longo prazo e motivo de muita polêmica.

Parecem docinhos de festa de criança, mas são células-tronco superpoderosas. Retiradas de embriões, elas são capazes de se transformar em qualquer outra.

Desde a década de 1940, após experimentos com pessoas submetidas à radiação, sabe-se que as célu­las-tronco têm a capacidade de repor as células que compõem o sangue e o sistema imunológico. Os transplan­tes de medula óssea são realizados há cerca de 40 anos, com sucesso. Mais recentemente, os médicos des­cobriram que essas células não estão presentes apenas na medula óssea, mas circulam também no sangue dos adultos e dos embriões. Assim, desde 1988, são feitos transplantes de células do cordão umbilical, que, por ser mais jovens, são bem mais versáteis - elas conseguem se diferenciar e especializar-se numa maior varieda­de de células.
Os últimos 20 anos marcaram a expansão do conhecimento sobre as células-tronco e suas aplicações clínicas. Descobriu-se, por exemplo, que, além de se diferenciarem em células do sangue, as células-tronco também podem se transformar em células de músculo cardíaco, dos ossos, das articulações, dos nervos e da pele e em neurônios. Em tese, serviriam como peças de reposição em caso de doen­ças degenerativas, lesões ou comprometimento de algum órgão.

Aplicações na medicina

Na corrida pelos benefícios do uso das células-tronco contra doenças do coração, o Brasil saiu na frente, com um dos maiores estudos do mundo, que envolve 40 instituições de pesquisa. Os cientistas brasileiros tentam estabele­cer se essas células especiais podem ser aplicadas em larga escala no trata-mento de problemas cardíacos graves, como cardiopatia isquêmica crônica, infarto agudo, cardiopatia dilatada e mal de Chagas. Tratamentos isolados, também realizados no Brasil, obtive­ram resultados promissores contra outras doenças, corno esclerose múlti­pla, diabetes e cirrose hepática.

A terapia com células-tronco adul­tas - aquelas encontradas em tecidos do organismo já completamente for­mados - tem lá suas limitações. Não se sabe muito bem como elas fun­cionam. E essas células costumam ser raras - estima-se, por exemplo, que somente uma a cada 1 milhão de células da medula óssea tenha de fato grande potencial de diferenciação. Para completar, após algum tempo as células-tronco perdem a capacidade de se dividir e se especializar, o que restringe seu uso em transplantes.

Paralelamente às pesquisas com as células-tronco adultas, os cientis­tas resolveram investir em outra direção. Em 1998, a equipe do nor­te-americano James Thomson, da Universidade de Wisconsin, con­seguiu isolar e multiplicar pela pri­meira vez algumas células-tronco retiradas de embriões menos de uma semana após a fertilização do óvulo pelo espermatozóide.

O mito da democracia racial

Gilberto Freyre contribuiu bastante para a visão de que o brasileiro não discrimina ninguém pela raça. No livro Casa Grande e Senzala (1933), Freyre defende a idéia de que nosso povo se criou de uma relação de antagonismo harmonioso entre os portugueses, os escravos africanos e os índios, em que as desigualdades não foram motivo de choques violentos. Para o autor, os mestiços - particular-mente os mulatos, filhos dos senhores europeus brancos com as escravas pretas - constituíram um dos principais canais que levaram os brancos a assimilar a cultura dos pretos. Por isso, para Freyre, não temos no Brasil um racismo explícito e violento, como nos Estados Unidos.

Trazidos para o Brasil como escravos do século XVI até meados do XIX, os pretos passaram todo o período colonial e imperial como escravos, como mera mercadoria. Por volta de 1870, época da assinatura da Lei do Ventre Livre, que tornou libertos os filhos de escravos, boa parte da elite intelectual brasileira estava convencida da inferioridade biológica dos negros. E o que se chama de racismo científico - uma doutrina ideológica fundamentada em premissas supostamente científicas, surgida na Europa, que pregava não só a superioridade dos brancos como também a idéia de que a miscigenação desses com os negros só contribuiria para degradar a "raça brasileira".

Estima-se que, quando a Lei Áurea foi assinada, em 13 de maio de 1888, dos quase 800 mil escravos libertados, apenas 0,9% de pretos c mulatos sabia ler. Sem nenhuma educação formal, milhões trocaram a condição de escravo pela de homens e mulheres livres sem qualificações nem condições mínimas para melhorar de vida. O governo da época não teve uma ação política para integrar essa imensa parcela da população à vida social e econômica da nação, como distribuir terras aos ex-escravos e universalizar o acesso a escolas. Ao contrário, com o fim da mão-de-obra escrava, o Estado incentivou a imigração: italianos, japoneses, espanhóis e alemães ocuparam, então, os principais postos de trabalho na lavoura e na indústria nascente. A medida fazia parte de uma política de branqueamento da população brasileira, então com grande parcela negra.

Estava criado um círculo vicioso que dura até hoje: o negro não conseguia trabalho porque não tinha estudo e não podia educar os filhos porque não possuía trabalho. Assim, a discriminação racial no Brasil passa a andar de mãos dadas com a fortíssima concentração de renda, característica que ainda persiste. Muitos críticos até abraçam a idéia de que o negro brasileiro não sofre discriminação racial, mas, sim, de classe social - um preconceito resultante da condição de pobreza herdada de seus ancestrais.

Pesquisas com embriões

Nesse estágio inicial de desenvol­vimento, e antes de ser implantado rio útero materno, o embrião ainda é chamado blastocisto - um aglomerado microscópico de aproximadamente 200 células sem nenhuma função específica. Se o blastocisto for mantido em condições especiais, em laboratório, suas células se multiplicam sem se diferenciar, conservando a capacidade de dar origem aos demais tipos de célula. As pesquisas ainda estão no início, mas o potencial dessas células-tronco embrionárias está criando um novo paradigma ia medicina. O objetivo, a longo prazo, obter um estoque ilimitado de material para a geração de diversos tipos de célula e tecidos para transplante.

No entanto, as pesquisas com célul­as-tronco embrionárias são motivo de grande polêmica no mundo inteiro, pois levantam questões de cunho éti­co e religioso. O problema é que essas células são obtidas de embriões que são destruídos ao ser manipulados. Há quem ache que, assim que ocorre a fecundação de uni óvulo pelo esper­matozóide, já surge um ser humano. Então, um embrião de cinco dias não é um mero pacote de células, mas um ser com todo o direito à vida, e sua manipulação equivale a um aborto. Os que defendem as pesquisas com os embriões dizem que eles dificilmente teriam capacidade para gerar unia vida se fossem implantados no útero. Sendo utilizados como fonte de células-tron­co, podem, por outro lado, salvar a vida de muita gente com males incuráveis.

Cada país tem uma forma de inter­pretar a questão. Nos Estados Unidos, a administração republicana elo presiden­te George W. Bush decretou, em 2001, que os institutos federais de saúde não podem trabalhar com células-tronco embrionárias. No entanto, ele enfren­ta grande oposição dos democratas no Congresso. No início de 2007, a Câmara norte-americana derrubou o veto presidencial, e o debate passou para o Senado. No Brasil, a questão é regulada pela Lei de Biossegurança. Aprovada em março de 2005, a lei libera a pesquisa científica com células-tronco, dentro de certos limites. Só podem ser utilizados embriões estocados em clínicas de fertilização assistida, considerados excedentes ou inviáveis. Esses embriões, gerados por fertilização in vitro, devem estar congelados há mais de três anos, e a autorização dos pais é indispensável. O comércio, a produção, a manipulação e a clonagem de embriões são vetados. Calcula-se que existam no Brasil algo em torno de 30 mil embriões congelados, mas apenas uma parcela disso deve ser aproveitável para pesquisa. Países asiáticos, como Coréia do Sul e Cingapura, aprovam não só essas pesquisas como a clonagem terapêutica, uma questão ainda mais delicada (veja adiante).

Os cientistas agora tentam desenvolver técnicas para obter as células-tronco embrionárias sem destruir os embriões e procuram essas células curingas em outras partes do organismo humano. No início de 2007, pesquisadores da Universidade de Wake Forest, nos Estados Unidos, anunciaram ter conseguido extrair e cultivar células-tronco no líquido amniótico, que envolve o bebê no útero de mulheres grávidas. Elas não
são exatamente iguais às embrionárias, mas também apresentam boa versatilidade para se transformar numa grande variedade de tecidos humanos. Seja como for, o trata-mento de doenças com células-tronco representa uma promessa, que deverá se concretizar somente daqui a vários anos. Os cientistas têm de solucionar ainda diversas questões, corno a possibilidade de desenvolvimento de tumores.

Clonagem terapêutica

A pesquisa de células-tronco esbarra em outro assunto polêmico da medi­cina: a clonagem. Em 2001, a empre­sa norte-americana Advanced Cell Technology anunciou ao mundo que havia realizado a primeira clonagem de um embrião humano a partir de células da pele de um paciente. O método foi o mesmo utilizado na pioneira criação da ovelha Dolly, em 1996: o núcleo de uma célula da pele foi implantado em óvulos cujo material genético fora removido. Depois, os óvulos foram estimulados a se desenvolver em laboratório, como se tivessem sido fertilizados.

O objetivo dos pesquisadores não era criar seres humanos em série, o que configuraria a clonagem repro­dutiva, um pesadelo muito anunciado mas nunca comprovado. Eles queriam contornar um problema constante nos transplantes - o risco da rejeição. Em tese, a clonagem tera­pêutica permitirá que cada indivíduo armazene sua linhagem particular de células idênticas, ou seja, com o mes­mo código genético das células origi­nais. No decorrer da vida, no caso da necessidade de um transplante, essas células poderão ser descongeladas, multiplicadas e induzidas a se dife­renciar como células do tecido a ser substituído. E, transplantadas, pode­rão regenerar o órgão danificado, sem o risco de que o sistema imunológico identifique o novo tecido como corpo invasor e o ataque.

As promessas da clonagem tera­pêutica têm mobilizado de tal modo a comunidade científica internacio­nal que já deram origem a urna das maiores fraudes de todos os tempos. Em 2005, o sul-coreano Hwang Woo-Suk, da Universidade de Seul, publicou um artigo científico segun­do o qual sua equipe havia obtido 11 linhagens de células-tronco embrio­nárias a partir de embriões clonados. A declaração surpreendeu o mundo. Desde as pioneiras experiências nor­te-americanas, jamais uma equipe havia avançado tanto na experiên­cia a ponto de resultar em linhagens de células-tronco. A clonagem é um processo de tentativa e erro, no qual raramente se consegue chegar à fase do blastocisto sem passar por cente­nas de experimentos malsucedidos.

No final de 2005, a fraude sul-coreana foi desmascarada: o cien­tista havia coagido mulheres de sua equipe a doar os óvulos e falseado os resultados apresentados às mais respeitáveis revistas especializadas. Por causa do vexame, essas revistas resolveram adotar maior rigor na hora de avaliar trabalhos, princi­palmente quando se trata de áreas tão disputadas da ciência. Woo-Suk afastou-se das pesquisas e responde a processos por fraude. O cientista sul-coreano comprovou, no entan­to, que havia clonado um cachorro da raça Afghan, que recebeu o nome de Snuppy, em agosto de 2005. Sua equipe continuou a trabalhar e, no fim de 2006, anunciou ter clorado três cadelas da mesma raça.

Esse é um dos sinais de que, se a clonagem reprodutiva de embriões humanos é condenável c a clonagem terapêutica ainda está longe de obter resultados, a experiência com animais está funcionando bem. Hoje já existem clones de ovinos, caprinos, bovinos, suínos, gatos e cachorros. O Brasil produziu sete bezerros clo­nados com o objetivo de conseguir uma reprodu­ção mais segura de linha­gens de qualidade supe­rior. Como sinal dos novos tempos, no ano passado as autoridades reguladoras dos Estados Unidos con­cluíram que era seguro o consumo de carne e leite de vacas, cabras e porcos clonados e de seus filhotes. Há ainda clones de animais que tiveram o código gené­tico alterado com a intro­dução de genes de outras espécies para utilização em pesquisas de labora­tório e no tratamento de doenças humanas. Mas a polêmica continua.

Saiu na imprensa
Stephen Hawking critica EUA e União Européia por postura sobre células-tronco

O cientista britânico Stephen Hawking, autor de "Uma Breve História do Tempo" e "Uma Nova História do Tempo", criticou os Estados Unidos e a União Européia por tentar proibir as pesquisas com células-tronco embrionárias.

Em entrevista publicada nesta segunda-feira pelo jornal britânico "The Independent", Hawking considera que as células-tronco embrionárias poderiam permitir o tratamento de males atualmente considerados incuráveis. O cientista sofre de uma doença degenerativa que o mantém em cadeira de rodas e limita seus movimentos - ele apenas move alguns dedos, com os quais opera uma caixa de voz computadorizada.

Hawking afirmou ainda que se opõe totalmente às tentativas de proibir o financiamento desses estudos. "A Europa não deve seguir a liderança reacionária do presidente Bush, que recentemente vetou um projeto de lei aprovado pelo Congresso e apoiado pela maioria da população americana que teria permitido o uso de recursos do governo federal para as pesquisas com células-tronco", afirmou Hawking.

As pesquisas com células-tronco são a chave para chegar ao tratamento de doenças degenerativas, considerou o cientista. De acordo com ele, impedir os estudos com células-tronco embrionárias é como se opor ao uso de órgãos doados de pessoas mortas.


Agência EFE, reproduzida pela Folha de S.Paulo em 24/7/2006


Resumo
CÉLULAS-TRONCO
São células indiferenciadas capazes de se transformar nos mais diversos tecidos orgânicos. São encontradas em embriões, no cordão umbilical e em diversas partes do organismo adulto, como medula óssea e sangue.

CÉLULAS-TRONCO EMBRIONÁRIAS
São as células-tronco mais versáteis, capazes de se especializar em qualquer tecido do organismo. Todos os 200 tipos em que se dividem os 75 trilhões de células do corpo humano adulto derivam dessas células. Extraídas do embrião na primeira semana após a fertilização do óvulo pelo espermatozóide, as células-tronco constituem grande promessa de cura de diversas doenças.

CÉLULAS-TRONCO ADULTAS
Têm uma capacidade limitada de diferenciação, em geral restrita ao tecido do qual derivam. Estão presentes em vários tecidos, como medula óssea, pele, sangue e cérebro. São usadas há muitos anos no transplante de medula, na reposição de sangue em casos de leucemia e outras doenças do sangue. Há, ainda, as células do cordão umbilical - de versatilidade intermediária entre as adultas e as embrionárias.

CLONAGEM REPRODUTIVA
Método que permite a criação de um ser vivo a partir da transferência do núcleo de uma célula adulta para um óvulo cujo núcleo original fora removido. Depois, o óvulo é implantado no útero de uma fêmea, que faz o papel de"barriga de aluguel': Foi o método usado na clonagem da ovelha Dolly, em 1996. Apesar dos boatos, jamais se comprovou que alguém tenha conseguido clonar um ser humano.

CLONAGEM TERAPEUTICA
Mesmo método da clonagem reprodutiva, mas sem a implantação no útero. Ele permite a obtenção de células-tronco embrionárias. A vantagem é que, em caso de transplante, os tecidos gerados a partir delas não sofrem rejeição do organismo.


Fonte: Almanaque Abril (Atualidades Vestibulares, Ed. Abril, 2007)