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A partir da década de 1990, tanto as empresas quanto o mercado, passaram por constantes processos de reformulações em consequência de fortes mudanças, dentre elas, mudanças políticas, econômicas e sociais. Neste período o mundo empresarial presenciou o crescente estabelecimento da competividade mundial devido à globalização, da qualidade como obrigatoriedade, e não mais como diferencial, e acima de tudo, da conscientização coletiva sobre a responsabilidade social e a sustentabilidade. É justamente neste novo quadro de alterações globais que as empresas se depararam com um público mais exigente, mais consciente e mais crítico com as informações repassadas a ele.
Estas mudanças levaram as organizações a conviverem com diferentes situações, sendo necessários ajustes estratégicos no papel de suas comunicações. Assim, não há exagero em dizer que, nos tempos atuais, saber se comunicar, tanto de forma eficiente quanto eficaz, é absolutamente indispensável para qualquer organização, em qualquer relacionamento, seja ele pessoal ou profissional.
Quando analisamos a comunicação como um “processo social no qual duas ou mais partes trocam informações e compartilham significados” (GRIFFIN, 2006 p. 188) é fácil observar diversos casos onde as diferenças linguística, política, cultural, racial entre outras, se tornam barreiras quase intransponíveis, sendo necessário mais do que uma simples tradução. É preciso conhecer quem, como, onde, porque, e no fim, saber como captar e passar todas estas informações de forma que o entendimento da mensagem seja o mais preciso.
Transpondo este aspecto para o mundo corporativo, temos cada vez mais empresas, governos e entidades incluindo a comunicação entre suas prioridades com a intenção de que a mensagem transmitida tenha o mesmo significado quando recebida, seja ela interna (para os funcionários) ou externa (para a sociedade). Assim, passou-se entender a comunicação como ferramenta imprescindível à administração de estratégias para a obtenção de resultados favoráveis.
A informação e os diversos processos de comunicação sempre se fizeram presentes no desenvolvimento das estratégias empresariais e no próprio crescimento das organizações. E isso pode ser observado nas relações entre departamentos, nas chefias, entre colegas de tarefas, na divulgação de resultados, em enquetes, murais, e toda e qualquer inter-relação entre os públicos interno e externo. Aqui é importante fazer a distinção de que, tanto a comunicação como os outros processos com os quais a organização está sempre ligada, (marketing, finanças, produção, vendas) se dão todos em uma matriz comum, o relacionamento interpessoal. E sendo as pessoas diferentes entre si, diferentes também serão suas percepções.
Quando utilizamos estes processos comunicacionais, aliados a teoria específica e às técnicas de comunicação, obtêm-se instrumentos capazes de auxiliar a organização na busca de estratégias mais pontuais e, quando isto acontece, têm-se o que Cahen (1990) afirma ser a comunicação empresarial. É por meio desses instrumentos que as organizações desenvolvem funções, tomam decisões e estabelecem atitudes perante seus stakeholders, isto é, funcionários, clientes, fornecedores, comunidade, governo, acionistas e familiares.
A importância da comunicação empresarial está justamente na capacidade de manutenção sistêmica e sinérgica destes instrumentos perante seus públicos. Não pensar na comunicação como elemento estratégico de gestão, no contexto atual, é um desafio que precisa ser sobrepujado imediatamente a fim de ultrapassar antigos paradigmas gerenciais.
Na abordagem comum, encontrada no âmbito da comunicação empresarial, o principal objetivo de uma organização é buscar a melhor mensagem (o que), utilizando-se do melhor meio (como), para estabelecer contatos eficazes com seus públicos-alvo (quem), visando mudar maneiras de pensar, influenciar opiniões ou, quando já se conhece, criar, alterar, manter e melhorar a imagem e a identidade da empresa (por que).
Esta é uma nova visão que tende a mudar as diretrizes das organizações, e transformar a comunicação empresarial na “grande estratégia”, não mais de conquista do consumidor, mas de manutenção do cliente e de cultivo dos próprios valores da empresa. A organização aprende que não adianta mais apenas produzir, promover e vender. É necessário convencer, cativar, demonstrar, passar credibilidade, ser transparente, respeitar, retribuir, sustentar e, acima de tudo, conversar. Conversar com seus colaboradores, com seus clientes, com os familiares de seus clientes, com o governo, com a mídia, conversar para contribuir.
Leonardo Vieira Rocha.
Administrador, especialista em Gestão da Comunicação Empresarial e professor da Faculdade Dom Bosco.